apologia à beleza

 o que é estética?
talvez a estética, assim como a beleza não
seja; não seja como (dizem que) as verdades o são: únicas, estanques e convencionadas, ou talvez sejam sim, mas seja transcendental à nossa circunscrita concepção do verbo ser; circunscrita, impositiva, indiscutível e infalível (…e… conveniente).

prefiro pensar – o mais próximo possível dessa sutil transcendentalidade – que a estética é a subjetividade cabal; a subjetividade cabal e livre; subjetividade cabal, livre e individual.

tal subjetividade elevada ao superlativo de notar a beleza tanto, ou somente – ou também a própria impossibilidade ou no querer percebê-la – nas ditas harmonias, nas proporcionalidades, nas igualdades quanto – e talvez mais atraente, por romper com predeterminismos aprisionadores – nas ditas dissonâncias, desproporções e diferenças.

ditadura da beleza? a beleza não dita, ela é neutra. neutra, onipresente e plural no mesmo instante.
ela não erige estereótipos, tão pouco se erige sob modelos e padrões. a beleza não se preestabelece, ela flui. flui plena nas minúcias elementares que compõem o conjunto, se manifesta nas partes e no próprio produto, ou melhor, nos produtos, pois a beleza não segrega, não conhece a distinção, não sustenta as tirânicas dicotomias, características das limitações humanas; a beleza abarca, e abarca tudo o que quiser ser abarcado, até mesmo o que dizem antiestético, feio.

a beleza é indissociável à existência. ela habita o âmago de todas as formas de existir, moldando-se às infinitas singularidades sem prescrever e sem impor, assim, é liberta, pois numa de suas características primodiais permite que tudo no seu modo específico, autônomo e essencial de ser – e principalmente, de querer ser – seja belo, porque belo é, da mesma forma, aquilo que quer sê-lo, o que Eu julgo e desejo que o seja, e a um só tempo, aquilo que você, em concordância ou não, também julga e deseja…

Hilton Cassiano