uta ni kike na
dare no no hana ni
akaki inamu
omomuki aru kana
haru tsumi motsu ko
ouça o poema
como negar o carmim
da flor do campo?
delícias a menina
pecar na primavera
“A primavera (haru) é talvez a imagem que retorna com mais freqüência em Midaregami (2). ‘…era para ela o símbolo da juventude, a primavera da vida, quando nada importa mais que a descoberta do Amor e o transporte dos sentidos’ (Dodane, 2000). O Amor é flor vermelha que desabrocha quando somos jovens. Com este tanka, Akiko condena os moralistas que reprovam o amor e que, na época, obrigavam os jovens a aceitar o casamento arranjado (omiai). Ao contrário, para ela, a poesia e o amor são a manifestação sincera das pessoas; por isso, exorta-nos a abandonar as convenções morais e a reconhecer a beleza das delícias primaveris.
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(1) ‘Chegou o dia em que as montanhas, se movem
Falo, mas ninguém acredita em mim.
Por um tempo as montahas ficaram adormecidas.
Mas, antigamente, elas dançavam com o fogo.
Não importa se acreditam nisso, meu amigos,
mas sim que acreditem no seguinte:
todas as mulheres que dormiam
agora acordaram e
se movem.’
De acordo com este poema de Akiko Yosano, a volta à cena literária das mulheres japonesas, no início do século XX, poderia ser representada pelo despertar de um vulcão; e descreve o momento em que o potencial expressivo das mulheres, por longo tempo silenciado pelas restrições sociais, preparava-se para explodir com toda a sua força.
(2) um dos cem livros mais importantes do século XX no Japão.
Midaregami (desordenado + cabelo): Uma leitura que destaca o caráter ao mesmo tempo erótico, libertário e desconcertante que os poemas de Akiko provocam.”
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[Akiko, Yosano. Descabelados (Coleção Poetas do Mundo)]
