“se não se tomar cuidado, o mal da sobrevivência em breve fará de um jovem um velho fausto cheio de lamentos, aspirando a uma juventude que passou sem que a reconhecesse. o teenager já traz as primeiras rugas do consumidor. poucas coisas o distinguem do sexagenário. ele consome cada vez mais depressa, ganhando velhice precoce ao ritmo dos seus compromissos com o inautêntico. se demorar a encontrar a si mesmo, o passado se fechará atrás dele: ele não terá chance de voltar atrás no que fez, nem mesmo para refazê-lo. muitas coisas o separam das crianças com as quais ontem ainda se confundia. entrou na trivialidade do mercado, aceitando trocar por uma imagem na sociedade do espetáculo a poesia, a liberdade, a riqueza subjetiva da infância. e, contudo, se ele reconquistar a si mesmo, se sair do pesadelo, que grande inimigo será para as forças da ordem!”
[r. vaneigem]
