as minorias e a cíclica das revoluções (trecho)

As mais célebres minorias contemporâneas, eminentes por suas lutas, protestos e manifestações vangloriam-se e notam-se pelos seus clamores, porém, seus gritos de queixa não passam de súplicas, cujas reclamações partem de uma perspectiva inteiramente legalista, pautada pelo desejo de existência respaldada pela indubitável legitimidade concedida pelo Estado e pelo Direito; e se Hakim Bey menciona sobre as revoluções que “o mundo virado-de-cabeça-para-baixo acaba se indireitando” , a potência de revolta, intrínseca nesses indivíduos, acaba por se auto-encaixotar assim que deixam de enxergar uma possibilidade de existência, na diferença, alheia às permissões e à licitude: o clico da exclusão à inclusão legal, consentida e permanente; e se “todos os seus revólveres [do Estado] estão apontados”  , não caberia a eles criar outras formas, mecanismos, táticas e objetivos de confrontos indiretos e eficientes, mas mecanismos de conciliação.

Hilton Cassiano